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Série: Sonhei que dançava

2018

Neste ensaio nos exercitamos a ocupar o Parque Ibirapuera, na cidade de São Paulo (SP) para dançar, para mover o corpo (corpo-árvore, corpo-galho, corpo-grama, corpo-dança) e borrar o humano. O corpo se desterritorializa, experimenta celebrar a vida, a existência, torna-se devir-natureza e co-habita o espaço. Um exercício de livre experimentação que não obedece regras, nem lógica ou ordenamentos, mas que flutua, que brinca, que pensa e que escreve poemas de amor ao mundo. Dançamos para buscar encontros, para afetar e ser afetadas. Ao conjugar o corpo-dança com a vida encontramos possibilidades de alterar sentidos e pensamentos, excedemos a textura da pele para promover agenciamentos. José Gil define o corpo como “um campo de forças atravessado por mil correntes, tensões, movimentos” (GIL, 2004, p. 13). Deslizamos o corpo entre coisas, não estamos preocupadas com o início ou o fim de uma música, com o ritmo e a duração, mas com o entre, lugar onde os atravessamentos acontecem. Pina Bausch dizia estar sempre mais interessada não em "como as pessoas se movem, mas o que move as pessoas”. Ocupamos então o espaço para (re)descobrir a nós mesmas. Há uma trama que entrelaça o corpo-dança a outras redes e o modifica. Eis um corpo múltiplo, poroso, que borda o entre com linhas de fuga. Linhas que nos desterritorializam como potência de criação. O devir-natureza que nos move dá-nos condições mútuas de experimentar e também criar. 

 

Performance para fotografia: Renata Ferreira

Fotografia: Amanda Leite

Referência

GIL, José. Movimento total: o corpo e a dança. São Paulo: Iluminuras, 2004.

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Citação - homenagem a Susan Sontag

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