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Memória de uma ilha (des)conhecida       

2015

A série inspira-se em: O conto da ilha desconhecida, do escritor português José Saramago. Uma espécie de fábula onde o escritor não nomeia as personagens, mas cria protótipos que conhecemos desde as narrativas infantis (o rei, a mulher da limpeza, os súditos do castelo, as pessoas do povoado, o capitão, os marinheiros e um homem que quer um barco). O reino é marcado por diferenças hierárquicas e sociais, descritos nas profissões das personagens. As passagens nos evocam a pensar sobre nós e nossa própria existência. Um homem precisa de um barco para encontrar uma ilha que ele diz ser desconhecida (seria esta ilha ele mesmo?). Diante das coisas triviais ele ousa buscar algo novo. Não há entraves que o faça desistir. Seus sonhos o impulsionam. Numa espécie de contagio ele convence uma das personagens (a mulher da limpeza do castelo) para o acompanhar rumo a ilha desconhecida. A mulher (talvez a figura mais aguerrida do conto) é audaciosa, decide abandonar o rei para seguir o caminho visionário. Saramago nos faz pensar sobre nossas lembranças, nossos sonhos e as coisas que nos movem. Navegamos à espera de encontrarmos ilhas desconhecidas ou ver nossa própria ilha por (in)finitas perspectivas? Este experimento fotográfico/literário (feito de camadas sobrepostas e manipuladas) cria alegorias, convida o espectador a se aventurar por outras leituras e, quem sabe, transformar o “faz de conta” fotográfico em outra coisa.

Confira a publicação do ensaio na Revista ExperimentArt da UFPA