1/24

Mínimos

2018/2019

O poeta Manoel de Barros no Livro das ignorãnças enfatiza que “é preciso desinventar os objetos”, dar a eles outras funções, “usar palavras que ainda não tenham idioma”. Como uma criança que diariamente (des)inventa palavras e objetos em despropósitos tomo esta provocação para produzir a série Mínimos. Um tipo de exercício brincante na composição fotográfica. Uma tentativa de compor pequenos poemas imagéticos onde a menor parte ganha destaque em imagens que mesclam cenas cotidianas e ficção. Ao colocar figuras humanas em diferentes escalas e perspectivas chamo a atenção à própria vida, às existências mínimas que performam nosso cotidiano. Estes pequenos seres habitam mundos imaginários, tencionam diferentes situações e pontos de vista. Ainda que não obedeçam a uma lógica de aparição na cena, estes personagens criam microcosmos, sugerem "quase-mundos". O que cada um nos dá a ver? Ao "animar" objetos, alimentos e personagens busco apreender as coisas do seu interior entendendo que "perceber não é observar de fora um mundo estendido diante de si, pelo contrário, é entrar num ponto de vista, assim como simpatizamos. Percepção é participação" (Lapoujade, 2017, p. 47). Procuro abrir fissuras, criar outras perspectivas, deslocar os clichês de signos e símbolos comuns para perceber outros modos de existência ou a existência mínima das coisas como pontua David Lapoujade. Cada fotografia existe pela potência de vida, pela fragilidade, pelo estímulo imaginário. Portanto, meu convite a você é que possamos então continuar brincando, pensando, criando com as imagens e suas singularidades. Que o nosso modo de ver seja mais intenso, inventivo e experimental.