LAGO

2017

 

Lago é uma depressão natural na superfície da Terra que contém uma quantidade variável de água. Água da chuva, água de nascente, água dos rios que vazam nestas depressões. A quantidade de água de um lago depende do clima de cada região. No Tocantins, um dos estados de temperaturas mais elevadas do Brasil, os lagos são alternativas para refrescar o calor intenso. A série fotográfica Lago é uma provocação ao mês de agosto, um dos meses mais quentes neste estado. O espelho propõe olhar as fotografias mais de uma vez, examiná-las, estabelecer jogos entre as coisas, suspender o tempo e quiçá compartilhar a poesia. O reflexo não representa, arrisca. Quer lançar a paisagem de tons pastéis às margens de um lago. A personagem nos conduz para uma árvore. Observa os arredores. Vê o horizonte. Deseja a vastidão e o infinito. Oásis cristalino, profundo. É possível tomar o barulho dos ventos como inspiração? O ardor das queimadas como resistência? Miragens. Efeito óptico para além de um desvio de luz nos objetos. Sabor de água doce. Frescor. Dia ensolarado. No tempo de cada fotografia as coisas se transformam. Ar. Memória. Cheiro. Poeira colorida colorante da estação. Cada fotografia inaugura o lugar do olhar. Abertura. Leitura. Distorção. Deslocamento. Para Adolfo Navas (2017, p. 83-84) "há [...] certos devires em curso que envolvem a fotografia em outros dispositivos e horizontes. E deve-se dizer que podem constituir linhas de fuga no campo de forças no campo nomeado como cultura fotográfica, no qual a fotografia precisa sair de certa redoma instrumentalizante e apostar na imagem fotográfica mais transversal, como território em contínua reconquista de liberdade, no fundo, sempre, no conjunto da imagem por vir como o desconhecido". Lago de palha que flutua. Azul. Ilhas de tempo. Possíveis constelações de pensamentos, intensidades e sentidos.

Performance para fotografia: Renata Ferreira

Fotografia: Amanda Leite